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Domingo de cão na Colômbia 

Essa é a história da primeira vez que o fusca quebrou no meio da estrada de uma maneira que não havia nada que a gente pudesse fazer. Tudo começou no sábado, saímos de Medellín para viajar sentido Cartagena das Índias e após um tempo na estrada apareceu um barulho muito estranho na roda dianteira direita. Era um rangido alto que gritava cada vez que virava o volante. Parecia som de atrito entre ferros, mas pensa num som feio demais. Viajamos o dia inteiro com esse barulho nos assombrando, uma hora deu até pra acostumar. Ao final do sábado paramos pra acampar no pátio de um restaurante em um pequeno povoado na beira da rodovia. No dia seguinte acordamos cedo pra rodar os últimos 300km até Cartagena, abastecemos o tanque e voltamos pra estrada. Tínhamos rodado uns 5 ou 6km, era uma reta numa subida, tudo ia normal quando tomamos nosso maior susto até agora. De repente a frente do carro caiu, o lado direito abaixou e começou a arrastar no asfalto. Foi muita sorte não estar vindo nenhum carro atrás e ter um acostamento asfaltado bem nessa subida, pois isso é muito raro nas estradas colombianas. Deu tempo de virar o volante e direcionar o carro pro acostamento, ele chegou lá devagar quase parando, arrastando algo metálico no chão.

Descemos pra ver o que aconteceu e deu muita dó, o lado direito da frente estava baixo, a roda estava encostada na lata do paralama, e quando abaixamos pra ver o que tinha arrastado no chão nos deparamos com o pivô totalmente fora do encaixe. Foi a primeira vez que não podíamos fazer nada pra remediar e rodar até a cidade seguinte. Era domingo de manhã e a temperatura devia estar perto dos 40°C. A solução foi ir atrás de ajuda profissional. Consegui pegar uma carona com um caminhineiro enquanto o Rapha ficou cuidando do fusca. Voltei até o povoado que tínhamos saído poucos minutos atrás pra ver se encontrava um mecânico. O rapaz da borracharia disse que só tinha um no povoado todo, e pediu pra um menino de bicicleta ir até a casa chamar ele. Isso era por volta de 9:30h. Pouco tempo depois o mecânico apareceu lá de moto pra saber o que eu precisava. Expliquei que o pivô do fusca tinha pulado fora e a frente do carro tava no chão, e perguntei se ele podia ir até lá comigo pra ver se dava pra arrumar. Ele disse que estava indo fazer um outro serviço que levaria umas 2hs, mas na volta iria sim. Fiquei esperando por ali mesmo, já que era o único mecânico em toda a cidade essa era a única opção.

Perto do meio dia ele voltou, subi na moto e fomos até onde a Lya tinha quebrado. Chegando lá ele olhou o estrago e disse que ia precisar de ferramentas. Voltou pra oficina pra buscar elas e trouxe um amigo junto pra ajudar. Ali mesmo no acostamento, debaixo de um Sol de 40°C ele macaqueou o fusca, tirou a roda e desmontou a parte que tinha quebrado. Ele explicou que o encaixe do pivô estava folgado e por isso acabou pulando pra fora, provavelmente quando passamos por algum buraco. Disse que não tinha aquela peça pra repor, e que por ser domingo não íamos achar nenhuma loja aberta na próxima cidade, mas que provavelmente também não teriam o pivô. A solução que ele deu foi soldar a abertura do encaixe com o pivô já dentro, pra fechar mais ela e não ter como ele pular pra fora. Fui com ele de moto até a casa de um amigo soldador que fez o reparo na peça em poucos minutos. Voltamos pro fusca e ele recolocou a peça no lugar. Isso já era final de tarde, passamos o dia todo nessa função. Com a ajuda do macaco hidráulico e muito jeitinho ele conseguiu encaixar o pivô de volta no eixo da roda e deixar o fusca em pé de novo, pronto pra voltar pra estrada.

No fim deu tudo certo, não sei como podemos ter tanta sorte. Em pleno domingo conseguimos um mecânico muito sangue bom que passou o dia todo embaixo do Sol escaldante arrumando o fusca ali mesmo no acostamento, e ainda nos cobrou muito pouco, convertendo deu menos de R$50,00. Mais uma vez não sei se foi sorte, porque era a quantia exata que a gente tinha na carteira. Posso dizer que esse foi o melhor domingo de cão que já tivemos até hoje, porque apesar de todo o trabalho terminou tudo bem, e ainda fizemos ótimos amigos que foram verdadeiros anjos em nosso caminho.

Adriano Medeiros Marcirio, Ciudad de Panamá, Panamá, 11 de novembro de 2019.

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