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  • Fusca a Dois

Há males que vem para o bem 

Você certamente já ouviu muito esse ditado na vida. Se sua mãe nunca falou tenho certeza que sua vó já te disse isso. A primeira vista pode parecer uma frase genérica de consolo, pra gente não se importar tanto com os perrengues que surgem em nosso caminho. Mas saiba que é muito mais que isso, é um dos grandes ensimanentos da vida, e não é só um ditado não, é verdade. É natural a gente ficar com raiva ou chateado quando algo ruim e inesperado acontece, mas se você já aprendeu que "há males que vem para o bem" tudo fica mais fácil. Vou contar alguns exemplos que aconteceram com a gente durante esses seis meses de estrada.

Já estávamos em Bariloche na Argentina há quase duas semanas, loucos pra voltar pra estrada e passar logo pro Chile. Estávamos num hostel bem legal e íamos sair na sexta, já tava decidido. Por conta de uns contratempos não conseguimos sair cedo e logo ia escurecer, por isso deixamos pra sair no dia seguinte pela manhã. No outro dia cedinho tomamos um susto, pois ao olhar pela janela mal dava pra ver o fusca de tanto que tinha nevado durante a noite. Tivemos que ficar lá por mais alguns dias até parar de nevar e começar a derreter pra dar de sair com a Lya. Agora imagina se tudo tivesse "dado certo" e a gente tivesse conseguido sair de lá na sexta-feira cedo como planejado. Simplesmente teríamos recebido a maior nevasca de Bariloche da última década acampados sozinhos em algum lugar no meio do nada à beira da estrada. Se no hostel já foi difícil porque ficamos presos sem luz e sem água, tendo que derreter a neve pra poder cozinhar e matar a sede, imagina no meio do nada, sem nem poder fazer fogo direito. Nunca agradeci tanto por ter atrasado um dia. Há males que vem para o bem.

Em São Pedro do Atacama no Chile estávamos acampados num terreno baldio bem próximo do centro. Já fazia 4 dias que estávamos lá e em todos eles a polícia vinha dizer que não podia acampar ali. A gente sempre conversava bastante e conseguia autorização pra passar mais uma noite. Apesar do calor surreal que fazia de dia, sendo impossível entrar na barraca pela tarde pra não cozinhar lá dentro, de noite o clima mudava e ficava até frio, bem bom pra dormir. Já tínhamos acostumado com o acampamento, pertinho do centro, lugar tranquilo, mas no quarto dia a polícia veio e não teve papo, tivemos que desmontar tudo e procurar outro lugar. Meio chateado por ter sido expulso de lá fomos procurar algum lugar mais afastado da cidade. Encontramos uma casa que tinha um terreno enorme em frente, com uma árvore fazendo sombra, e paramos pra perguntar se podíamos acampar por ali. O dono da casa disse que ali na frente não podia, mas nos fundos tinha um espaço mais tranquilo onde a gente poderia acampar por alguns dias sem problema. Entrando no pátio vimos que era uma propriedade enorme, tinha várias cabanas, algumas ocupadas. Depois de conversar melhor descobrimos que ali era uma pousada e eles alugavam as cabanas pra turistas. Quando contamos nossa história de viagem, quanto tempo estávamos na estrada e tudo que já tínhamos passado o dono do lugar ficou fascinado e na hora nos ofereceu uma cabana. Não tínhamos como pagar por tudo mas ele fez questão de nos dar de presente quantos dias fosse preciso ficar. Fomos expulsos pela polícia de um acampamento onde estávamos usando a água do riacho pra lavar a louça, e no mesmo dia fomos recebidos com muito carinho numa cabana só pra gente com cama boa e chuveiro a gás. Há males que vem para o bem.

E história como essas temos várias. Situações que parecem ruins, mas que depois acabam bem melhor do que imaginávamos. Perdi as contas de quantas vezes paramos num posto de gasolina pra pedir pra acampar e nos falaram que não podia, e alguns quilômetros pra frente encontramos o lugar perfeito, bem melhor do que o pátio do posto. E assim é a vida, até quando algo ruim acontece, contrariando nossas expectativas, pode ser para que algo ainda melhor te aconteça logo em seguida, algo que nem passava pela sua cabeça. Por isso independente do que aconteça, seja na vida ou na estrada no meio do nada, só respira fundo e se acalma porquê perrengues vão surgir de qualquer forma, mas coisas boas também, e quando você menos esperar vai estar rindo das histórias que nem a gente tá fazendo hoje. Adriano Medeiros Marcirio, Cartagena das Índias, Colômbia, 7 de novembro de 2019.

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