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Morando com desconhecidos pelo Couchsurfing

Uma das perguntas que mais recebemos é como fazemos pra dormir quando não podemos acampar. Sempre preferimos o acampamento porque nele não importa onde seja, já é algo familiar e nos sentimos muito em casa. Entretanto em algumas ocasiões onde acampar é inviável por algum motivo, nós recorremos à alternativas de hospedagem. Claro que existem hotéis e hostels em todo lugar, mas como viajantes sempre buscamos lugares mais baratos, ou de preferência de graça mesmo, já que nunca temos dinheiro sobrando. Uma ferramenta que já tínhamos escutado falar mas nunca usado foi o Couchsurfing, e ele se mostrou um verdadeiro salvador pra nós em muitas situações.

Pra quem não conhece o Couchsurfing é um aplicativo de celular que une viajantes e pessoas que gostam de hospedar viajantes. Basicamente qualquer pessoa que tenha uma casa e espaço pra receber visita pode criar um perfil no couchsurfing disponibilizando esse espaço. Quando algum viajante procurar por hospedagem naquela cidade vai encontrar o perfil da pessoa e é só falar direto com ela. O viajante também tem o seu perfil bem detalhado e com base nele a pessoa pode decidir se o recebe em casa ou não. Eu confesso que achei meio estranho quando ouvi falar pela primeira vez mas a prática me mostrou que pode sim ser uma experiência maravilhosa. A primeira vez que usamos couchsurfing foi no Chile, depois de 3 meses de viagem. Quem nos introduziu nesse mundo foi a Fabi que viajou um tempo com a gente. Estávamos chegando em Osorno no sul do Chile e o clima estava horrível, muita chuva, mas muita mesmo. Ela buscou no couchsurfing e achou o perfil de uma família que topou receber nós três. Era uma casa simples mas muito confortável, tinha até um aquecedor a lenha na sala que fazia milagres naquele frio. A família era muito gente boa e tinham um senso de humor incrível. Um casal de uns 50 anos e o filho de 24. Tinha também dois cachorros, dois gatos e um porquinho da Índia pra completar a família. Ficamos lá por 5 dias e durante os 5 dias choveu sem parar. Foi bom demais participar do dia a dia dessa casa, compartilhar histórias, piadas, boa comida. Como nossa primeira experiência com couchsurfing foi sensacional. Valeu pra eu ver que é uma ferramenta que funciona mesmo.

Entretanto eu sabia que podia ser sorte de principiante ter pegado logo de cara uma casa com uma família tão legal. Estava esperando nossa próxima experiência pra ver se era mesmo apenas sorte. Nosso próximo couchsurfing foi logo no Equador em meio a um estado de exceção com toque de recolher. A rua tomada por protestos violentos e nós presos dentro de casa, sem poder sair do país por conta das rodovias fechadas. Nossa sorte foi justamente estar num couchsurfing bem tranquilo e seguro. Era uma casa bem grande onde morava somente um casal, então tinha até quarto individual pra nós. Por conta da situação do país tivemos que ficar na casa deles quase um mês, até a situação política se normalizar e a gente poder voltar pra estrada. Sei que em um mês morando com alguém já é quase como se fosse parte da família. Acabamos conhecendo mais da vida das pessoas e a cada dia que passa a convivência fica ainda mais tranquila e natural. Quando saímos de lá foi como deixar pra trás mais que amigos, irmãos. Lembrando sempre que não é um hotel, a pessoa está dividindo a casa dela contigo, e de graça, então todo o bom senso se faz necessário. Nesse tempo todo que ficamos lá ajudamos com as tarefas da casa, mantendo a organização, fizemos vários almoços tipicamente brasileiros, cortamos até a grama que durante um mês tinha crescido bem saudável. Ajudar é sempre bom em qualquer situação, mas num couchsurfing é questão de educação mesmo. Essa é uma dica essencial pra quem quer viajar e pensa em usar esse aplicativo, não seja folgado hahaha. Hoje estamos em Medellín na Colômbia em mais um couchsurfing. Dessa vez é o apartamento do Walter, um professor de inglês de 57 anos que tem altos moicano no cabelo, mora sozinho e tem um excelente gosto musical. Nos contou que recebe viajantes há 6 anos e nós somos os primeiros brasileiros. Vamos ficar aqui por uma semana e já estamos combinando quais passeios da cidade vamos fazer. Queremos muito ir conhecer a fazenda Nápoles do Pablo Escobar que fica à 3hs de Medellín. Esse é outro ponto legal do couchsurfing, mesmo chegando numa cidade onde não conhece nada nem ninguém você passará a ter um porto seguro não só para dormir, mas terá um amigo que conhece bem a cidade e poderá ser uma excelente companhia pra passear, se a pessoa tiver tempo e vontade, é claro. Mas com certeza ela vai poder te dar boas referências de onde ir, lugares mais baratos onde comprar comida, qual o melhor horário pra pegar um ônibus, dicas que só um morador local saberia passar.

Essas foram nossas experiências com couchsurfing, cada casa é diferente e cada pessoa também. Acredito entretanto que se você estiver disposto a conhecer melhor a cultura de um país, a realmente ter uma troca de experiências direta com uma familia nativa, a compartilhar um pouco da sua cultura também, porque todos tem curiosidade de saber mais sobre o Brasil, se você quiser ter uma vivência única de intercâmbio com desconhecidos dispostos a fazer o mesmo, recomendo muito que experimente o couchsurfing. Uma coisa tenho certeza, você pode se surpreender e aprender muito com cada pessoa que passa pelo seu caminho. Adriano Medeiros, Medellín, Colômbia, 23 de outubro de 2019.

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